segunda-feira, 26 de maio de 2014

Coutos e terras de degredo no Algarve

Este pequeno trabalho de investigação pretende dar a conhecer uma realidade pouco divulgada entre a comunidade científica, que consiste na preservação das terras de degredo mais de um século depois de terem sido extintos os Coutos de homiziados em Portugal. Esta situação, no caso aqui revelado, pode justificar-se pelo retomar do regime absolutista com D. Miguel, mas também pela necessidade de repovoamento do território nacional. Importa não esquecer que o Algarve, e muito particularmente a vila de Castro Marim, foi uma das primeiras regiões do país a receber cartas de Couto para obstar ao fenómeno socioeconómico do ermamento e, desse modo, operar ao forçado repovoamento da raia fronteiriça no Guadiana. Os documentos aqui transcritos reforçam também a ideia de que o Algarve, pela sua extremada posição geográfica foi sempre terra de degredo e exílio. Basta lembrar, que ainda no regime deposto de Salazar, o filósofo Agostinho da Silva, em 1943, foi compelido a exílio interno, sob a designação de residência fixa, na Praia da Rocha em Portimão. Os possíveis interessados na leitura do meu trabalho poderão fazer o seu download sem quaisquer encargos.




2 comentários:

  1. Muito intressante !! nao fazia idea . obrigada !
    tem sido uma perola rara e muito bom trabalho de investicao temático. obrigada.

    Gostaria tb se é possivel incluir dentro desta linha o cristaos novos ou cripto judeus denstro desa perspectiva e os vindos de espanha, ou até itália por exemplo,
    (estou me a lembrar dos pioneiros naa historia da conservacao do atum em salmoura de Vila Real de Santo António, que nao é nao é aprofundada, so ha só breve realtos de hória sobre estes industria que comecou ate de forma industrail caseira- como o meu bisavô por exemplo e devia haver mais que contribuiram para a esta industria de conservacao do atum em lata ou latao grande. mas ainda nao li a tal monografia desta Vila, que exste disponivel mas nao online ) ou outros forasteiros presseguidos sejam pela populacao ou judical (de onde vieram)
    e senao seria pertinente incluir, parece que coincide com a histora das comunidades talves judeiacas no algarve e traz os montes e as zonas fronteiricas. ha lacunas neste topico e de de repente associei, mas nao está explicito nem incuido antes e durante a Inquisicao.
    nao sei. é errado incluir e fazer este paralelismo ? e se sim podia se neste trabalho incuir esta realidade. mas so este facto da geografia geografia deste ensaio historica é para mim já altamente revelador e intressante. e de repente lendo isto faz todo o sentido politicamente para a proteccao de fronteiras e de povoar zonas desertas, isoladas sendo ao mesmo tempo uma chance de novas possibilidades de "vida" e fugir dos odios locais juntando o util ao agradá vel de forma benevolenta para os perseguidos da justica e deixcados um pouco em paz ?


    Com meus melhores cumprimentos, a. b. da cruz

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    1. Muito obrigado pelas questões que aqui colocou. As dúvidas que se prendem com os cristão-novos são infundadas. Creio que são fruto de um alarmismo suscitado pelas perseguições da Inquisição. O período dessas perseguições decorre entre o século XVI e inícios do século XVIII. Depois disso, abranda a sanha anti-semítica. Os cristãos-novos ou judeus convertidos não se incluíam nos chamados homiziados.

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