domingo, 6 de setembro de 2026

Idanha a Velha, a antiga Egitânia dos romanos, é hoje uma vila-museu quase desconhecida

Porta das antigas muralhas romanas de Egitânia, hoje Idanha
A secular vila de Idanha-a-Velha, cujas origens remontam aos princípios do cristianismo na península ibérica, merece uma visita atenta e demorada, face ao seu valiosíssimo património histórico. A sua diversidade e multiplicidade artística é vasta, invulgar, singular e desconhecida pela maioria dos portugueses.
Estive alojado uma semana em S. Miguel d'Acha, atraído pelas minhas investigações sobre o pseudo-maçonismo do partido miguelista. Mas isso é um assunto que ficará para outras calendas. 
O que me trás agora a terreiro é o prazer de "turistar" na minha pátria. Confesso que fiquei atónito quando fui visitar a vila medieval de Idanha-a-Velha, não esperava tão agradável viagem no tempo. Passei do século XXI ao século I-IV da nossa era, seguindo depois para o VIII-X, até ao XV, sem qualquer esforço de reflexão. 
Sé da Egitânia, cujo adro é um imenso museu arqueológico

Era tudo óbvio, tudo evidente, estava tudo ali à minha frente, como se estivesse num museu a céu aberto. Literalmente assim, à mão e à vista de todos. Cada pedra era um grito silenciado no passado, uma evocação histórica, pronunciada em voz baixa, porque só ali estava eu e a minha esposa, na imensidão daquela máquina do tempo. Eu sabia, ou pensava que sabia, o que me esperava. Já tinha lido muito sobre o assunto, sobretudo quando fui um jovem aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Mas a realidade com que me defrontei foi absolutamente desarmante. 
 Fiquei surpreendido com a magnitude da sua riqueza patrimonial; fiquei deslumbrado com a beleza e antiguidade histórica da vila medieval... fiquei envergonhado por ser a primeira vez que visitava Idanha-a-Velha. 
Arco Romano, porta de saída para o rio Ponsul
Como historiador, e porque não dizer como turista, senti um enorme orgulho de ser português. Afirmo-o sem qualquer resquício de nacionalismo bacoco. A Vila, conserva atualmente apenas uma ínfima parte daquilo foi na antiguidade. No século XX, uma família de apelido Marrocos (sintomático para os dias de hoje) destruiu a seu belo prazer a antiga civitas romana, e edificou um solar de duvidoso gosto arquitetónico sobre o antigo fórum romano, cujos alicerces atrapalhava os novos proprietários de explorar os campos agrícolas em redor. Quantos testemunhos da colonização romana, das invasões sueva e visigótica, não se perderam, ou se reduziram à brita dos caminhos, em nome dos interesses da civilização moderna e dos hodiernos proprietários... Deixe-vos aqui algumas imagens de Idanha-a-Velha, numa espécie de aperitivo para um futuro desafio – ou desarmante convite - a deslocarem-se à nossa deslumbrante Beira Baixa, mais propriamente ao distrito de Castelo Branco, para percorrerem esse triângulo maravilhoso que se espraia desde Idanha até Monsanto, passando depois a Penha Garcia até finalizar nas termas de Monfortinho.

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